quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

1 + 1 = 2

Uma piscada na estrada. Olhos de caçador fechados por um segundo. E o meu algoz à minha frente. Pneus gritando no asfalto frio do outono. Porta, teto, porta, rodas, porta, teto, porta, rodas no chão. E tudo volta.
Eu queria era brincar, ser criança. Mas não. Devo caçar. Coisa de homem. E aquela garota da lanchonete, tão bonita. Era difícil, eu sei, mamãe ajudava muito antigamente. Mas, girando, basta uma matemática bem simples: coisas somadas na nossa vida nos dão o resultado no final. E às vezes a soma nos impressiona. Somando-se o controle do meu pai e a passividade da minha mãe, o que temos?
Temos uma matemática quase pecaminosa, que nos engana com suas trocas de sinal inesperadas, suas potências absurdas e suas divisões entre diferentes momentos. Mas a verdade, não, a verdade não pode ser dividida.
E o meu algoz? Eu somado a ele temos meu pai decepcionado. Aquilo eu não faria. Até pensei em fazer pra agradar a garota. Mas não sou eu.
Mas e se eu estiver errado?
E se minha raiva for eu tentando voltar pra onde sempre estive?
E se eu acreditar que tudo isso é maravilhoso?
Talvez a matemática não seja tão simples assim.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Faz onze meses aquele sentar-nos nas escadas e conversarmos até as três da manhã.

Águas de Março

Só a tristeza me coloca aqui, né?
Acho que você - é, você mesmo - nem entra mais.
Nossas chuvas acabaram. Quem sabe num outro verão?
Mas acho que não. Você já chove em outro alma
talvez
menos plúmbea
talvez
mais simples
talvez
mais perto
talvez
- mas só talvez -
a sua alma-gêmea (eba!, até que enfim).
E você, minha alma-gêmea, minha chuva de verão,
talvez
finalmente
tenha ido-se embora.

sábado, 3 de dezembro de 2011

D2

À procura da batida perfeita.
Sempre.
Do bem-viver, da felicidade aristotélica.
Do amor-próprio, da compaixão (por si)
Da sabedoria e do controle, da própria matéria-minha-carne-e-osso
À procura da batida perfeita
do meu coração.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Suicídio

Agora, enquanto eu escrevo, já passou. Mas aquele desejo latente reapareceu. Lógico que o incidente deu faísca pra esse fogo.
Aquela gana, aquele desejo desesperado, de me ferir e de ver o sangue se esvaindo junto com meus problemas. Seria só matéria morta. Só matéria-morte.
Mas, ah, é mesmo, sou covarde demais.

Vida de Merda

E, bem naquele momento, naquele ah-agora-tudo-vai-ficar-bem, lá vem ela.
a vida.
me dando um pontapé.
um chutão mesmo
na boca

"de novo, vida?"
"de novo!"

puta que pariu.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cansado

Estou muito cansado.
Cansado da vida, de tudo.
Cansado de ter o que não quero e não ter o que quero.
Cansado de opressão.
Cansado de não poder ler, assistir e pensar-e-falar tudo que me apraz.
Cansado do mundo apontar o dedo para mim e dizer: está errado!
Estou muito cansado de tudo, da vida.
Cansado de não ser parte de um conto-de-fadas.
Cansado.