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domingo, 3 de julho de 2011

Louco

Matem o louco, maldito!
Ele nos faz sentir burros
Mate-se, louco!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Gotas

- Chora, filho
chora...
e as gotas de chuva misturavam-se às lágrimas de uns e de outros, como se quisesse apagar levar embora sumir com todo o sofrimento. Como quisesse diluir o sofrimento como faz com o sal das lágrimas.
e, novamente, as gotas, desta vez do mar, separam-se. O mar abriu-se no meio e nada há que possamos fazer. O bolo, antes massa homogênea de açúcar farinha ovo, agora tem seus pedaços cortados.
- Chora, coração, deixe que a cabeça pensa outro dia. Chora até dormir de cansaço...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Todo carnaval tem seu fim

viviam a teatrar no carnaval
os nomes não se lhes importam
teatravam na imensidão dos carnavais através dos séculos
desde Veneza teatravam
só teatro?
não
esse era o problema
que por trás das máscaras triste e feliz,
por trás dos nomes Pierrot, Arlequin e Colombina,
jaziam paixão, culpa, amizade, felicidade, tristeza e
uma infinitude de outros sentimentos
em suma
o Arlequin sorri,
a Colombina ama,
e o Pierrot chora.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Amizade

No cenário enfumaçado de um sonho adolescente
All-star's sujos nos pés já cansados
os jeans batidos de propósito, ainda na fábrica
todos jogados nos sofás da vida
abraços intermináveis e uns beijos aqui e ali
- a gente se conhece, qual é o problema? -
se conhecem melhor que qualquer outra coisa
há uns três-quatro anos era coca-cola, agora é cerveja
ainda ligam o videogame quando estão entediados
jogam baralho, e agora tem fichas de poker
nem dizem mais o nome pro porteiro
- opa!, vou ali no 22, beleza? -
sabem dos desesperos mais profundos uns dos outros
assim como sabem cada podre de cada um
mas isso nem importa muito
o que realmente importa é se reunir e fazer com que essa energia
vinda não se sabe de onde, nem quando
(sempre andaram juntos, como não perceberam o tempo passar por eles?)
flua e faça com que cada momento seja inesquecivelmente efêmero...

sábado, 13 de novembro de 2010

A Rapsódia (Boêmia) da Lagoa

Era uma vez um patinho
patinho normal
de aparência normal
o patinho, entretanto, não sentia como os outros patinhos
o patinho sentia o contrário dos outros patinhos

E a dor do patinho era grande
"Dona Pata não vai me aceitar"
o patinho partiu para uma atitude drástica
e a dor do patinho, depois de tudo,
cicatrizou

O patinho depois foi encontrando outros patinhos como ele
e as noites secretas o levavam aos cantos mais escondidos da lagoa
onde se podia ser como se sentisse, sem estigmas
mas a sombra de não ser como os outros ainda o encobria
porque ele ainda não via sua diferença como boa

Mas ele ainda vai ver que o bom é ser diferente
e os iguais é que estão errados de somente ter a si próprios como certos

sábado, 9 de outubro de 2010

Saudades, passarinho

Que saudades, passarinho.
Saudades da sua boa cara
quanto pesar, quanto carinho
Pessoa de alma tão rara.

Você, tão bom pássaro entre os que cresceram
Levado tão cedo nos ventos do destino
Deixará lembranças entre os que te conheceram
Deixará saudades entre nós, Cristino.

-"-"-

sábado, 2 de outubro de 2010

O Velho e o Moço

Ele não deixa nada assim
Muda o que tiver que ser mudado
É inteligente, mas prefere parecer tolo e bruto
Grita e faz cara feia
Mas só quer ser pai
Nosso pai
Cansado pai, triste pai, de filhos tão bons e filhos tão-tão ruins
Sacrifica alguns para o desenvolvimento de todos,
porque ele, realmente, se importa
quer-nos bem
os melhores

Ele deixa tudo assim, como era antes de vir pra cá
É vaidoso, sua imagem é tudo
Quando vem a nós, porém,
não sabe dizer o que não tem a dizer.
Mas sente-se orgulhoso, muito orgulhoso
E por isso tenta expurgar aqueles que não o são
E bate, apenas porque apanhou, não pra educar
É filho ainda... um irmão mais velho, carrasco irmão mais velho, burro irmão mais velho
Não sabe medir nem erros e nem acertos
Mas preocupa-se
Quer, também, o nosso bem

E eu?, vou levando assim,
que o acaso é amigo da minha paciência
quando eu falo comigo, quando sei ouvir os outros...

sábado, 18 de setembro de 2010

Pimenta na Mente dos Outros é Refresco

Vem como quem não quer nada.
Poucos toques, muita graça.
Cara de criança, jeito de criança.
Pensa como adulto.
Sente como adulto.
E, como criança, despede-se de ser adulto.
Joga para o alto sua maturidade.
Tem oportunidade de ser mais criança.
De ser criança.
Falar como criança.
Mas, às vezes, seu olhar juvenil se perde,
desfoca-se num franzir de testa maduro.
Sem alegria nem felicidade, com introspecção.
É maduro, não é?
Não, não sou!
É sim.
Não sou!
Sou criança!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Conheço Seu Jogo, José

Te vi jogando bola hoje, José
Seu jogo é bom, José
Dá futuro
Melhor!, dá presente.

Seu jogo é rápido, José
Suas pernas são mais rápidas do que compridas
Enganam mais do que fazem
Fingem mais do que são

Seu jogo, José, é forte
Depende do corpo, e pouco da alma
Depende dos olhos, cabelo, roupas e de parecer melhor que os outros
E se molda, como massa de modelar, às tendências
Você nunca fica por fora, José

Seu jogo é tenso, José
Você só joga se for pra ganhar
Só ganha
Sempre ganha
Ganha não de si mesmo, mas dos outros
Ninguém ganha de você, né, José?!

E o melhor (ou pior) de tudo, José
Seu jogo funciona!
Funciona mais que meu xadrez e minhas palavras outonais
Funciona mais que o humor e bem mais que a inteligência
Seu jogo de egos (no qual o seu é sempre mais forte, mais bonito, mais bem penteado e bem vestido) ganha, José
Seu jogo funciona!, José

E o meu, não.

domingo, 20 de junho de 2010

...ou coroa

"É curioso o fato de eu pensar assim
a gente sempre viveu meio junto
se vendo o tempo todo e nada acontecia
lógico... tem essas diferenças
mas se ele pelo menos olhasse pra mim dessa forma
o curioso é que ele sempre fica por perto quando ele tá por aqui
será que ele... não, deve ser só minha imaginação
não teria cabimento
mas se ele insinuasse alguma coisa
seria tão bom..."

domingo, 18 de abril de 2010

Ainda dói

Depois de tudo que fiz, continuo o mesmo.
Meu cabelo continua com o mesmo tom de cinza.
Meu cérebro continua funcionando a toda velocidade.
Meus olhos azuis continuam frios.
E minha perna ainda dói.

Sofri quando ela me deixou,
sofri quando ela morreu.
Sofri quando eles foram embora,
mesmo que tenham continuado por perto
Sofri quando ninguém me quis mais.
E minha perna ainda dói.

Meus amores pertencem a um passado preso ao futuro,
sempre que vão começar eu já sei que acabaram.
Meus amigos pertencem a mim, e mais ninguém,
mas isso até eles me abandonarem.
Minhas mãos tremem de agonia e minha testa se molha de suor,
à noite, sozinho, na cama, no quarto escuro.
E minha perna ainda dói.

Mesmo com uma imagem inteligente,
o conteúdo se degrada a cada negação de mim mesmo.
Mesmo com cada pessoa salva, cada alma pura, cada mentira,
cada choro de agradecimento, cada abraço de amor-pago.
Mesmo com tudo isso,
minha perna ainda dói.

Minha perna ainda dói,
porque as pessoas não mudam.