Aquela gana, aquele desejo desesperado, de me ferir e de ver o sangue se esvaindo junto com meus problemas. Seria só matéria morta. Só matéria-morte.
Mas, ah, é mesmo, sou covarde demais.
Cores.
Cores de Almodóvar, de Frida Kahlo; cores.
Azul-baratéia, verde-camuflado, ouro e prata.
E a coragem, que cor tem? E a ousadia? E a hipocrisia, que cor tem?
Que cor tem o amor a paixão a amizade o ódio o desprezo? Que cor tem, hein?!
E a verdade? A honestidade? A justiça? Que cor tem?
E a opressão, o desrespeito, o preconceito e a ignorância, que cor têm?
E a saudade, que cor vai ter a saudade?
E a sinestesia, que cor tem?